Ryan Moon: Dentro da Espiral

O percurso de Ryan Moon dentro da fotografia de escalada não nasceu da ambição, mas da necessidade. Começou a escalar na Califórnia e, mais tarde, pegou na câmera para garantir que o guia de bloco de Kings Canyon tinha as fotografias que o lugar merecia. O que começou por ter um papel prático, gradualmente evoluiu para algo mais pessoal, até que fotografar se tornou uma atividade paralela. A Califórnia era o cenário perfeito: épocas de bloco intermináveis, paisagens de cortar o fôlego e muitos sítios para explorar. Do guia de Kings Canyon até Neon Gray, com uma série de pequenas zines pelo caminho, o trabalho de Moon tem encontrado formas analógicas para a partilha da sua arte, que refletem a natureza tátil da escalada em si. Mas muito antes da rocha, havia o skate. Décadas passadas imerso na cultura do skate moldaram o seu olhar, ensinando-o a procurar timing, movimento e energia em vez de formas estáticas. Como destacado na revista Summit Journal 322, esta influência é profunda: onde muitas imagens procuram documentar, as fotografias de Moon procuram transformar imagens estáticas em movimento. O seu trabalho capta algo cru e imediato; a tensão, o medo, os milissegundos entre o controlo e a falha. Essa mesma sensibilidade transparece na sua fotografia de bloco. Obturadores lentos, desfoco e distorção não são floreados estilísticos; são ferramentas para alongar o momento, para fazer o movimento ser sentido em vez de apenas visto. “Tenho vindo a absorver estas imagens toda a minha vida”, diz Moon. O seu trabalho não se limita a representar o bouldering, mas também comunica a experiência de o viver. Ou, como ele próprio diz, ecoando uma frase que o marcou: “não fotografes como parece, fotografa o que te faz sentir”.












Spenser Tang-Smith no Kaweah Wave - V9
Consegues conciliar duas coisas que adoras, o bouldering e a fotografia. É para ti fácil ficar atrás da objetiva quando preferias estar a escalar?
Num mundo perfeito, estaria a fazer as duas coisas na mesma sessão. Ainda assim, ambas acabam por colidir. Escalar bloco exige uma concentração extrema e muitas vezes é difícil voltar a esse estado quando ando a alternar entre escalar e fotografar.
Bouldering é movimento, e as tuas fotografias com shutter drag parecem enganar o olhar, mostrando mais do que um vídeo consegue por vezes captar. A escolha desta técnica é influenciada pelo movimento ou pela estética ligeiramente psicadélica de que pareces gostar?
Definitivamente não é pela estética psicadélica, embora seja isso o que normalmente as pessoas costumam sugerir. Admito que pode ser um resultado fixe da técnica, mas o principal objetivo do shutter drag é mesmo a alusão ao movimento. Grande parte da fotografia de escalada pode fazer com que o momento pareça estático ou sem vida. No meu ponto de vista, quando escalamos, sentimo-nos atléticos, sentimos medo, sentimos que estamos de facto em movimento. Como é que conseguimos transmitir isso através de imagens fixas?
O teu trabalho permite-te colaborar e criar ligações não só com amigos, mas também com pessoas que admiras. Podes partilhar alguns projetos ou interações que se tenham destacado?
Felizmente, a maioria das pessoas que fotografo são minhas amigas, mesmo algumas sendo atletas profissionais, torna tudo um pouco mais fácil. Foi muito especial fotografar o Aidan Roberts no projeto Six Degrees, já que é talvez o projeto mais icónico de Yosemite, neste momento. Mas no geral, o que realmente me motiva é captar qualquer pessoa a tentar um problema que tenha significado para ela, seja este um V0 ou um V17.
Parece que valorizas o trabalho físico, analógico, algo que se reflete nas tuas zines e livros impressos. Sobre o mais recente, “Neon Gray”, podes falar-nos um pouco da ideia por detrás e do processo de a concretizar?
O Neon Gray é, de certa forma, o culminar do meu percurso artístico até agora. Combina a minha comunidade, o meu estilo fotográfico, a minha abordagem à edição e ao layout, e esta vontade constante de me expressar em formatos analógicos (neste caso, um livro). Costumo descrevê-lo como um livro de fotografia de mesa de centro com espírito de zine. Fiz cerca de uma sessão por semana durante um ano e depois passei cerca de seis meses a trabalhar com as gráficas para garantir que tudo ficava como eu ambicionava. Queria construir um percurso visual pelos locais de bouldering e buildering da East Bay, ao mesmo tempo que mostrava o máximo possível da cultura envolvente, por vezes com a ajuda de pequenos textos complementares.
Sou da opinião que as pessoas retêm mais os projetos impressos do que quando veem conteúdo num ecrã. Há qualquer coisa num livro de grande formato que permite às imagens respirarem de uma forma que um telemóvel ou computador simplesmente não permitem.
Muitos fotógrafos e videógrafos que disparam bloco, inspiram-se na linguagem visual da cultura dos desportos urbanos. De onde sentes que vem a tua própria inspiração?
Qualquer pessoa que acompanhe o skate vai perceber que vou buscar muita inspiração à estética da fotografia de skate dos anos 90. Na verdade, sigo muito mais fotógrafos de skate do que de escalada, porque sinto que estão constantemente a inventar novas formas de representar a sua cultura de maneiras entusiasmantes.
Pesquisa por @oldmanmoon para saberes mais.